quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Diário Antártico


Antarctica Classica – Dia 1 – 08/01/2012
Acordei cedo ainda para arrumar a mala e tentar de alguma forma colocar as roupas extras de frio dentro dela. Que operação difícil ! Fui a pé até o hotel, com a minha mochila nas costas e carregando alguns itens extras, de onde sairia o ônibus para o aeroporto. Os turistas dessa primeira viagem já estavam todos juntos esperando pelo embarque e o caminho até o aeroporto foi mais do que tranqüilo. O avião saiu pontualmente as 10h00 e tivemos um vôo tranqüilo sobre o Drake, pousando em Frei as 12hs com uma temperatura de 5 graus centígrados e um leve vento nordeste. O caminho até a praia foi sem incidentes e já ali comecei a reencontrar os conhecidos guias, além de algumas caras novas. Apresentações feitas, seguimos de barco para o navio e minha nova casa, pelo menos por 3 semanas ! desta vez estou dividindo a cabine com Christian, assistente de Mariano na expedição, no deck 3 bem na parte de trás do barco. Como vou dormir na cama de cima, tenho vista para a janela e o mar, como um grande quadro dinâmico que muda a cada momento.
Começamos bem – vento forte e ondas na saída da baia Nelson, o que colocou metade dos passageiros passando mal e vomitando.  Entramos rápido no estreito de Bransfield  para navegar a noite toda em direção a península. Eu terminei a noite discutindo a operação e meu trabalho com Diana e Mariano, principalmente onde eu iria instalar os meus sensores de temperatura – os tidbits. A idéia é que esses sensores registrem as principais mudanças na temperatura ao longo de todo o próximo ano. Além disso, já comecei a trabalhar na formatação do programa científico a bordo, uma de minhas tarefas aqui. Acabei dormindo com o computador no colo.
Dia 2 – 09/01/2012 – Já de manhã cedo ficamos parados frente de Mikkelsen mas o tempo parecia bom o suficiente para ir até Spert.  Excelente passeio de bote, entre os penhascos, com direito a icebergs fotogênicos por toda a volta. Mas, estamos na Antártcica e o tempo aqui é uma caixa de surpresas. Ele deu uma boa piorada, com vento e neve, descendo a temperatura para zero grau. Desembarcamos em Hydruga Rocks, um lugar cheio de pingüins e obviamente de guano fedorento, e muitoooo frio. Sorte que a maioria dos turistas pensou o mesmo e vários voltaram mais cedo. Foi um dia pra lá de cansativo e dormi pesado essa noite.
Dia 3 - 10/01/2012 – acordamos na entrada do canal de Lemaire, mas foi absolutamente impossível atravessar o canal por causa do gelo. Esse ano toda a parte sul da península está completamente tapada de gelo. Mudamos de rumo para South Point , mas o vento e a neve começou a ficar pesada. Resultado, Mariano decidiu de última hora ir para a baia Dorian que fica um pouco mais acima, meia hora apenas de barco. Chegamos com um vento forte de nordeste que empurrava muitas peças de gelo para dentro da baia e o desembarque foi impossível. Resultado – tivemos que dar a volta e entrar pelo meio de pedras grandes e cheias de guano de pingüim. Odor nem um pouco agradável ! Eu abri a fila junto com a francesa Agnes e seguimos juntos até o topo da pinguineira, para depois descer e abrir caminho até a cabana dos ingleses. Fiquei um pouco na pinguineira, ajudando os turistas que passavam ali, falando um pouco sobre o local, os pingüins, etc, até que desci para procurar um bom lugar perto da cabana para instalar um dos tidbits. Achei um bom lugar, em uma estrutura antiga de metal, provavelmente usada pelo ingleses para algum equipamento, e depois fechei a cabana com os últimos turistas, cerca de duas horas depois. Voltamos a bordo tranquilamente, aguardando o almoço, pois pela tarde iríamos para Port Lockeroy.
Consegui até tirar uma pequena soneca, e começamos o desembarque em Port Lockeroy as 15h30. Fiquei entre lá e cá (Jugla Point – perto da base, onde turistas visitam uma pinguineira) e Port Lockeroy, até que voltei um pouco mais cedo para o navio para trabalhar com Diana no plano científico. Na janta, o pessoal da base e mais tripulantes de outros dois veleiros se juntaram a nós para uma pequena festinha a bordo, e terminei indo dormir perto da meia-noite.
Dia 4 – 11/01/2012 – Acordamos de manhã entrando em Paradise Bay, em um dia com muitas nuvens baixas, vento forte e neve. Fizemos um passeio de Zodiac por dentro da baia, sem muito o que ver já que o tempo não estava ajudando nada. No máximo encontramos uma foca leopardo dormindo em uma placa de gelo e vimos uma parte da geleira se quebrar...nada mais sério. Coletei alguns pedaços de gelo para usar com o microscópio e fizemos a tradicional foto do grupo, dentro dos botes mesmo.
Depois do almoço seguimos para Neko harbour ainda com um tempo meio ruim, mas eu estava decidido a instalar um sensor no topo da geleira por ali. Mariano me designou para abrir a fila até o topo e fui subindo e marcando o caminho (chegando quase morto no topo !) para uma vista maravilhosa da geleira e da baia. Com o Tidbit instalado e local marcado, esperei mais turistas chegarem e um staff para começar a descer. Lá na praia, fiz uns arratos de plâncton e pegamos vários Harpaticoidas esverdeados, parecidos com pequenos camarões (e que agora esqueci o nome científico) com o intuito de mostrar para os turistas durante a reunião da noite. Foi com certeza um dia proveitoso. O por de sol foi inesquecível e apesar os convites para se juntar aos outros staffs no bar, fui dormir cedo porque meu cansaço agora começa a aparecer.
Dia 5 – 12/01/2012 Chegamos a Depcetion Island pela manhã, debaixo de um vento frio de mais de 80 km/h. Embora estivesse sol, o vento estava muito forte e a maré bastante alta. Mesmo como o frio, bravos e corajosos nadadores testaram o banho antártico – loucura total.
Depois seguimos para a Ilha Half Moon com um céu maravilhoso e quase sem vento (isso é antártica). Foi um final de tarde fenomenal.
Agora estou aqui sentado na frente da estação Frei tentando ter uma boa conexao de internet. Espero conseguir.
Saudades de casa.


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