Antarctica Classica – Dia 1 – 08/01/2012
Acordei cedo ainda para arrumar a mala e tentar de alguma
forma colocar as roupas extras de frio dentro dela. Que operação difícil ! Fui
a pé até o hotel, com a minha mochila nas costas e carregando alguns itens
extras, de onde sairia o ônibus para o aeroporto. Os turistas dessa primeira
viagem já estavam todos juntos esperando pelo embarque e o caminho até o
aeroporto foi mais do que tranqüilo. O avião saiu pontualmente as 10h00 e
tivemos um vôo tranqüilo sobre o Drake, pousando em Frei as 12hs com uma
temperatura de 5 graus centígrados e um leve vento nordeste. O caminho até a
praia foi sem incidentes e já ali comecei a reencontrar os conhecidos guias,
além de algumas caras novas. Apresentações feitas, seguimos de barco para o
navio e minha nova casa, pelo menos por 3 semanas ! desta vez estou dividindo a
cabine com Christian, assistente de Mariano na expedição, no deck 3 bem na parte
de trás do barco. Como vou dormir na cama de cima, tenho vista para a janela e
o mar, como um grande quadro dinâmico que muda a cada momento.
Começamos bem – vento forte e ondas na saída da baia Nelson,
o que colocou metade dos passageiros passando mal e vomitando. Entramos rápido no estreito de
Bransfield para navegar a noite toda em
direção a península. Eu terminei a noite discutindo a operação e meu trabalho
com Diana e Mariano, principalmente onde eu iria instalar os meus sensores de
temperatura – os tidbits. A idéia é que esses sensores registrem as principais
mudanças na temperatura ao longo de todo o próximo ano. Além disso, já comecei
a trabalhar na formatação do programa científico a bordo, uma de minhas tarefas
aqui. Acabei dormindo com o computador no colo.
Dia 2 – 09/01/2012 – Já de manhã cedo ficamos parados frente
de Mikkelsen mas o tempo parecia bom o suficiente para ir até Spert. Excelente passeio de bote, entre os
penhascos, com direito a icebergs fotogênicos por toda a volta. Mas, estamos na
Antártcica e o tempo aqui é uma caixa de surpresas. Ele deu uma boa piorada,
com vento e neve, descendo a temperatura para zero grau. Desembarcamos em Hydruga
Rocks, um lugar cheio de pingüins e obviamente de guano fedorento, e muitoooo
frio. Sorte que a maioria dos turistas pensou o mesmo e vários voltaram mais
cedo. Foi um dia pra lá de cansativo e dormi pesado essa noite.
Dia 3 - 10/01/2012 – acordamos na entrada do canal de
Lemaire, mas foi absolutamente impossível atravessar o canal por causa do gelo.
Esse ano toda a parte sul da península está completamente tapada de gelo. Mudamos
de rumo para South Point , mas o vento e a neve começou a ficar pesada.
Resultado, Mariano decidiu de última hora ir para a baia Dorian que fica um
pouco mais acima, meia hora apenas de barco. Chegamos com um vento forte de
nordeste que empurrava muitas peças de gelo para dentro da baia e o desembarque
foi impossível. Resultado – tivemos que dar a volta e entrar pelo meio de
pedras grandes e cheias de guano de pingüim. Odor nem um pouco agradável ! Eu
abri a fila junto com a francesa Agnes e seguimos juntos até o topo da
pinguineira, para depois descer e abrir caminho até a cabana dos ingleses.
Fiquei um pouco na pinguineira, ajudando os turistas que passavam ali, falando
um pouco sobre o local, os pingüins, etc, até que desci para procurar um bom
lugar perto da cabana para instalar um dos tidbits. Achei um bom lugar, em uma
estrutura antiga de metal, provavelmente usada pelo ingleses para algum
equipamento, e depois fechei a cabana com os últimos turistas, cerca de duas
horas depois. Voltamos a bordo tranquilamente, aguardando o almoço, pois pela
tarde iríamos para Port Lockeroy.
Consegui até tirar uma pequena soneca, e começamos o
desembarque em Port Lockeroy as 15h30. Fiquei entre lá e cá (Jugla Point –
perto da base, onde turistas visitam uma pinguineira) e Port Lockeroy, até que
voltei um pouco mais cedo para o navio para trabalhar com Diana no plano
científico. Na janta, o pessoal da base e mais tripulantes de outros dois
veleiros se juntaram a nós para uma pequena festinha a bordo, e terminei indo
dormir perto da meia-noite.
Dia 4 – 11/01/2012 – Acordamos de manhã entrando em Paradise
Bay, em um dia com muitas nuvens baixas, vento forte e neve. Fizemos um passeio
de Zodiac por dentro da baia, sem muito o que ver já que o tempo não estava
ajudando nada. No máximo encontramos uma foca leopardo dormindo em uma placa de
gelo e vimos uma parte da geleira se quebrar...nada mais sério. Coletei alguns
pedaços de gelo para usar com o microscópio e fizemos a tradicional foto do
grupo, dentro dos botes mesmo.
Depois do almoço seguimos para Neko harbour ainda com um
tempo meio ruim, mas eu estava decidido a instalar um sensor no topo da geleira
por ali. Mariano me designou para abrir a fila até o topo e fui subindo e
marcando o caminho (chegando quase morto no topo !) para uma vista maravilhosa
da geleira e da baia. Com o Tidbit instalado e local marcado, esperei mais
turistas chegarem e um staff para começar a descer. Lá na praia, fiz uns
arratos de plâncton e pegamos vários Harpaticoidas esverdeados, parecidos com
pequenos camarões (e que agora esqueci o nome científico) com o intuito de
mostrar para os turistas durante a reunião da noite. Foi com certeza um dia
proveitoso. O por de sol foi inesquecível e apesar os convites para se juntar
aos outros staffs no bar, fui dormir cedo porque meu cansaço agora começa a
aparecer.
Dia 5 – 12/01/2012 Chegamos a Depcetion Island pela manhã,
debaixo de um vento frio de mais de 80 km/h. Embora estivesse sol, o vento
estava muito forte e a maré bastante alta. Mesmo como o frio, bravos e
corajosos nadadores testaram o banho antártico – loucura total.
Depois seguimos para a Ilha Half Moon com um céu maravilhoso e quase sem vento (isso é antártica). Foi um final de tarde fenomenal.
Agora estou aqui sentado na frente da estação Frei tentando ter uma boa conexao de internet. Espero conseguir.
Saudades de casa.
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