Antártica Clássica 07 (ainda sem
internet suficientemente boa para postar fotos. Sorry!)
Dia 1 – 14/01/2012
Logo depois da última postagem
não aconteceu nada de novo. Apenas aquela espera de sempre, com vento e frio lá
fora, quentinho e comida aqui dentro do navio. Estou tentando controlar o garfo
mas está difícil, muito difícil (rsrs). Comida boa tem esse problema.
E logo depois do almoço veio a
notícia de que o vôo tinha saído de Punta Arenas. Movimentamos as bagagens dos
passageiros para a praia e eu subi direto a pista de pouso. Eu iria recepcionar
os passageiros chegando, em uma manobra bem apertada, pois tínhamos apenas 40
minutos para tirar todo mundo do avião e mandar os que estavam aqui. Manobra
feita, zarpamos sem mesmo conseguir se despedir de casa pelo facebook (Saudades
de todos!). O mar não estava para peixe e tentamos fazer um desembarque em
Robert Island, com um swell considerável. Robert Island é uma ilha mais ao sul,
parte das Shetlands, e cerca de duas horas de navegação de Frei. Nada feito! A
tentativa terminou com todos os staff molhados e nenhum passageiro na praia.
Voltamos para o barco e decidimos continuar navegando para a península, mesmo
com as ondas fortes do estreito de Bransfield botando meio navio a nocaute. Valeu
a tentativa. Foi um dia cansativo e dormi muitooooo.
Dia 2 - 15/01/2012 – navegando pelas
ilhas da Peninsula.
Acordamos com um lindo amanhecer,
céu azul e sem vento, ao largo da ilha Trinity. Como o tempo estava fantástico,
Mariano decidiu por um passeio de zodiac em Foyn harbour. O lugar é um
naufrágio da época de caça as baleias, lá pelos idos de 1920-1922, onde um
navio carregado de óleo de baleia azul encalhou. Diz a lenda que ainda há cerca
de 10 milhões de dólares em óleo de baleia ali nos porões. Encontramos dois
veleiros atracados nos restos do navio, e com a água maravilhosamente clara,
acabamos vendo vários pedaços antigos de madeira e ossos de baleia a cerca de
10 m de profundidade, espalhados por toda a área. O lugar é realmente um
espetáculo.
Cruzeiro terminado, rumamos para
Orne harbour, uma pequena enseada com uma rampa de gelo de uns 50 metros de
altura, e vários pingüins bem no alto. A escalada ali é bem pesada mas a vista
vale muito a pena. Aproveitei para instalar uns sensores de temperatura no
local e aproveitar o vento agradável e o céu azul. Foram duas horas de passeio
também inesquecível. Ao final, tocamos o barco na direção de baia Paraíso onde
encontramos o navio Prof. Vavilov, da mesma companhia que o Ocean Nova, para
troca de mantimentos e descarregar lixo (o navio é bem maior que o nosso).
Trabalhamos mais de 1 hora entre o vai e vem dos zodiacs carregando material,
atentamente observados pelos curiosos turistas. Ao final da faina, continuamos
navegando pela baia Paraíso, bem próximo aos glaciers, para deleite de todos e
muitas fotografias. A noite chegou com um novo rumo – canal de Lemaire.
Dia 3 - 16/01/2012 – Acordamos na
passagem norte do canal de Lemaire e chegamos a entrar nele, mas as condições
de gelo não permitiram nem mesmo terminar de cruzar o canal. A vista era
maravilhosa, mas em termos de navegação, um pesadelo. Lá no final tivemos que
dar meia volta em meio a blocos gigantes e seguir novamente rumo norte. Como o
dia estava lindo, azul e sem vento, mais uma vez Mariano optou por descer os
zodiacs e passearmos um pouco entre os blocos de gelo, focas e pingüins.
Chegamos até a desembarcar em um pedaço de gelo, para fotos e um pouco de
diversão. Fiz algumas medidas e a água se mantinha constante em 1 grau Centígrado,
no limite da manutenção do gelo por ali. Passeio terminado, almoçamos e
seguimos para Port Lockeroy. No caminho, encontramos um veleiro amigo fazendo
uma filmagem e demos uma “palinha” no filme com o navio e ancoramos logo depois
nas águas calmas de Port Lockeroy. Foi uma visita rápida mas proveitosa, que
terminou com um churrasco em meio a um vento frio e mudança de tempo. O noite
chegou com neve e frio, e nós – rumando novamente para norte com destino ainda
incerto.
Dia 4 - 17/01/2012 – Atravessamos
a parte norte do Estreito de Gerlache e o tempo piorou muito. Ondas realmente
grandes fizeram o navio balançar bastante e metade dos passageiros ficou
confinada em seus quartos. A idéia era parar em Hydruga rocks, que acabou sendo
abortada pelas condições ruins. Rumamos
então para Deception Island com o mar batendo muito, mas com a certeza de que iríamos
nos proteger dentro da ilha. Fizemos um landing pela tarde em Walers bay, com
muito vento, frio e gelado, e encontramos duas barracas militares armadas
próximo a base abandonada dentro da ilha. Eram fuzileiros ingleses fazendo
medidas de maré e hidrografia, com o navio HMS Protector. O pessoal de praia
estava mantendo a posição para geolocalização e também as medidas de maré. Aproveitei
para instalar mais um sensor de temperatura na base, além de passear um pouco
até que chegou a hora de subir abordo novamente. A noite foi fantástica com
jantar especial de despedida e depois uma pequena festinha particular entre nós
do grupo base. Muito divertido.
Dia 5 - 18/01/2012 – Tocamos a
noite um pouco de mar e amanhecemos em Frei, com internet ruim, tempo encoberto
e muito frio. Infelizmente o vôo de troca de passageiros já tinha sido
cancelado na parte da manhã. Sobrou apenas uma visitinha rápida para os meus
amigos pingüins de Hardley Island, onde acabei instalando mais um sensor de
temperatura.
Por hora, ainda aguardamos
notícias. Nada de vôo a tarde e aqui estou eu escrevendo enquanto os passageiros
assistem Happy Feet. Mais notícias ao longo do dia.
Saudades de todos.---- update: o tempo abriu mas me parece que perderam a janela de tempo e não houve voo. O que deve acontecer agora é que vamos dormir por aqui, e esperar que amanhã cedo haja voo.
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